Um assassinato cruel, uma travesti negra morta, e agora o julgamento

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Na madrugada de 30 de março de 2019, a travesti negra Patrícia Rafaela dos Santos, moradora da cidade de Sarandi, foi brutalmemte atropelada por um caminhão dirigido por Murilo Eduardo Rolemberg Guimarães, de 46 anos. O assassino se recusou a pagar por um programa que a vítima oferecia como acompanhante. Murilo a empurrou do caminhão, atropelou Rafaela, como era mais conhecida, e levou os pertences dela sem prestar nenhum socorro. A travesti morreu no local. “Sabemos que, casos como o de Rafaela, não é único, nem exclusivo, e que corpos negros e transexuais são os que mais morrem no Brasil”, diz trecho de um texto escrito pela amiga Thais Andrade, integrante de um movimento independente que está organizando uma manifestação. Ainda segundo o texto, a justiça continua negligenciando e invisibilizando esses corpos. Cruelmente, Patrícia Rafaela se tornou estatística no país que mais mata travestis e transexuais, onde a expectativa de vida de pessoas trans é de apenas 35 anos”. O movimento lembra da vítima como uma mulher alegre, que não se deixava abalar pelos preconceitos que sofria, que, assim como todos nós, possuía sonhos e ideais, ajudava a sustentar sua casa, tinha amigas, gostava de sair e de se divertir.

O motorista Murilo Guimarães, de 46 anos

O assassino está preso e depois de dois anos do crime será levado a julgamento a júri popular, por latrocinio e crime doloso, quando há a intenção de matar. A mãe da travesti, Simone Pacheco dos Santos, será ouvida como testemunha. Por isso, no dia 27 de maio, data do julgamento, os membros do movimento, imbuídos do lema “Vidas Trans Importam!”, estarão reunidos na frente do Fórum de Sarandi, a partir das 8h30, horário previsto para começar o tribunal. Será “um ato de justiça por Rafaela e por todas as pessoas trans e negras que morrem covardemente nesse país transfóbico e racista. Estaremos lá, em apoio a família de Rafaela, pedindo que a justiça seja feita e o assassino assim, seja condenado!  RAFAELA PRESENTE!”

(atualizado às 10h40)

O CASO

Patrícia Rafaela, morta aos 24 anos

Jhonatan Willian dos Santos Camargo era o nome de batismo da travesti. Seis anos antes, ela já tinha perdido o irmão, Maicon, de 17 anos, morto a tiros dentro de casa. Jhonatan assumiu a homessexualidade aos 18 anos e começou a se prostituir cerca de dois anos depois, com o conhecimento da mãe, com quem morava. O crime aconteceu numa madrugada de sábado, na avenida Bela Vista, bairro do mesmo nome, na cidade de Sarandi. No dia do assassinato de Rafaela, moradores e vizinhos disseram à polícia terem visto um caminhão baú da cor branca circulando nas proximidades. Seis dias depois, a Polícia Civil identificou Murilo Guimarães como principal suspeito, com a ajuda de imagens de câmeras de segurança que mostravam uma carreta bi-trem branca circulando perto do local do crime. Uma testemunha relatou aos policiais ter presenciado uma discussão entre Rafaela e o motorista momentos antes do assassinato. O motivo seria o fato de Murilo ter negado a pagar o valor combinado pela relação sexual. Ele foi preso pouco mais de um mês depois, na cidade de Itororó, na Bahia, transferido depois ao Paraná.  


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