Turismo forte tem memória – Viva 27 de maio!

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Jacó e Pimentel em primeiro plano; ao fundo Gilberto Pires, ex-presidente da Paranatur, e Darci Piana (Fecomércio)

Por Jacó Gimenes *

O dia 27 do mês de maio de 1969 deu ao Paraná dois dos grandes feitos para o Turismo, quais sejam: a criação da Paranatur – Empresa Paranaense de Turismo e do Cepatur – Conselho Paranaense de Turismo. Isso, graças ao então jovem e empreendedor Paulo Pimentel, que, na condição de Governador do Estado, se inspirou na criação da Embratur em 1966 para criar tais instituições. Inicialmente a Paranatur foi vinculada à Secretaria dos Negócios do Governo e depois em 1974 passou para a Secretaria da Indústria e do Comércio. Infelizmente a Paranatur foi extinta em 1989, começando, ao nosso ver, a partir de então, os problemas decorrentes da perda da identidade econômica do Turismo, quando da criação da Festur – Fundação de Esporte e Turismo. Por mais motivos que se apresentassem para questionar a figura jurídica de empresa, esta decisão gerou a dança de vinculação do Turismo: a cada momento o setor pertencia a uma Secretaria diferente, dependendo dos interesses em acomodar o Turismo. Isso provocou a fragilização do setor com o agravamento da falta de identidade. É evidente que os diferentes devem ser tratados de maneira diferente e nesse contexto, a sabedoria indica uma modelagem mais apropriada, pois Turismo é negócio e, como tal, o foco deve ser econômico. Assim, cabe às áreas de Esporte e de Meio Ambiente, serem vistas como recursos turísticos, assim como a Cultura. O Turismo por si só não existe, pois esse setor é resultado do melhor das diferentes áreas, com propósito de mover pessoas para consumir produtos e serviços, sendo um instrumento de transferências de poupanças como estratégica fonte de riquezas. O Paraná tem tudo para ter o Turismo como pujante setor, inspirado com o êxito da nossa Agricultura, desde que seja tratado e assumido como setor diferenciado com suas ricas potencialidades turísticas em Natureza, Cultura e Economia. Deveríamos, então, assumir a condição de Produtores de Turismo, assim como os Produtores Rurais o fizeram, e primar pela defesa setorial. Como legado tem-se o Cepatur, que completa 52 anos, sendo, portanto, um dos mais longevos, referência para inúmeros conselhos no Brasil. Se quisermos resultados diferentes, temos de agir diferente e quebrar paradigmas. Urge pautar a revisão da figura jurídica da Autarquia Paraná Turismo. De maneira participativa e amparados no Masterplan Paraná Turístico 2026, o modelo jurídico de Autarquia precisa ser revisto e de maneira integrada agregar a criação do Fundo de Desenvolvimento pelo Turismo. É sabido que as condições atuais não permitem à Autarquia Paraná Turismo ser autônoma administrativamente, pois não possui fonte de recursos próprios e ainda está tutelada a uma secretaria onde o forte é o ambiental. A valorização pela memória nos mostra mais um dos grandes feitos, iniciado em 2006 com a construção histórica do modelo de Regionalização do Turismo, com a missão de atuar por novos rumos do Turismo no Paraná, deixando de só pensar em Curitiba e Foz do Iguaçu, integrando todas regiões turísticas. Contudo, ainda hoje não foram assegurados os meios para tão nobre missão. Com inteligência, conhecimento e atitudes poder-se-á gerir o melhor das 15 regiões turísticas com a visão de destinos emergentes, associados aos destinos consolidados de Curitiba e Foz do Iguaçu. Os atuais governantes estaduais precisam decidir como querem ser lembrados na Memória do Turismo. A grande questão é o que farão para a posteridade pelo Paraná Turístico, pois Paulo Pimentel em 1969 anteviu e fez a equação com Empresa e Conselho. E agora? Precisamos de mais determinação na gestão dos assuntos de Estado, caso contrário o Paraná continuará renunciando sua vocação turística e abrindo mão de fontes econômicas, que agora mais do que nunca serão indispensáveis, diante do empobrecimento causado pela pandemia. Aprendemos que a memória tem duas dimensões, uma no retrovisor, levantando, estudando e valorizando fatos, feitos, legados e pessoas. E a outra, no visor de horizontes para desafios e novas oportunidades para quem fizer por merecer. Na caminhada de mudanças, em 1983 a Paranatur passou a ser vinculada à Secretaria da Cultura e do Esporte. Para em 1986, novamente vincular-se a Secretaria de Indústria e do Comércio. Em 1991, a Festur foi transformada em Autarquia, que foi extinta em 1995, com a criação da Autarquia Paraná Turismo e do Serviço Social Autônomo Ecoparaná, sendo o Turismo vinculado a Secretária de Esportes e Turismo, passando posteriormente em 2001 para Secretaria de Indústria, do Comércio e do Turismo. Em 2002, tivemos a sonhada criação da Setu – Secretaria de Estado do Turismo, a qual erroneamente foi extinta em 2013, quando o Turismo foi oferecido à Secretaria da Cultura, que, através de seu Conselho, recusou e assim acabamos mais uma vez vinculado a uma Secretaria de Esportes e Turismo. Em 2019, mais uma mudança e o nosso Turismo passa a fazer parte da Sedest – Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo. Depois de meio mandato de governo, seria importante avaliar e ajustar, pois o Paraná quer e precisa de mais atenção para as especificidades próprias do Turismo. E quando se tem no comando do Estado o Governador Ratinho (jovem e interessado no Turismo) e o Vice-Governador Darci Piana (experiente e fazedor pelo Turismo), não se pode postergar e deixar de fazer medidas estruturantes, pois as pessoas passam e as instituições permanecem. No exercício da Cidadania pelo Turismo, propomos a criação da Agência Paranaense de Turismo – Paranatur, tendo na estrutura o DNA formado pelo empreendedorismo do trade turístico, a inteligência de nossas universidades (em especial, das estaduais com seus cinco Cursos Superiores de Turismo, mantidos com impostos paranaenses) e a rede operacional das organizações credenciadas como IGR’s – Instâncias de Governanças Regionais. É tempo ainda para o atual governo realizar o seu grande feito, e destravar as amarras para a consolidação do Paraná Turístico. Vamos celebrar com entusiasmo a data de 27 de maio – o DIA ESTADUAL DO TURISMO, criado pela lei 18474/2015, com a certeza que Turismo forte tem memória!

(*) Jacó Gimennes, 68 anos, Cidadão Honorário do Paraná, Fundador da Retur – Rede de Turismo Regional, Presidente da Autarquia Paraná Turismo (2015-2018), Conselheiro da UEM – Universidade Estadual de Maringá e Consultor em Desenvolvimento pelo Turismo.


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