Tramita na Câmara de Maringá projeto para distribuir absorventes

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Projeto em tramitação na Câmara Municipal, apresentado pelo Executivo, visa a fornecer gratuitamente absorvente íntimo higiênico para as mulheres de baixa renda no município ou em vulnerabilidade social. O dinheiro para a compra seria por conta das dotações consignadas em orçamento municipal, que será suplementado se necessário. É um avanço no combate à pobreza menstrual, caracterizada pela falta de acesso a produtos para manter uma boa higiene durante a menstruação. A vereadora Professora Ana Lúcia (PDT), que também iria apresentar projeto neste sentido, mas abriu mão em virtude da matéria encaminhada pela Prefeitura, protocolou sugestão de emenda aditiva. Como a proposta do Executivo foca na distribuição, a vereadora sugere ampliar os locais de entrega para tornar o absorvente ainda mais acessível. Levando em conta a realidade por exemplo de que há adolescentes constrangidas de pedir ao pai a compra do produto, Ana Lúcia acrescenta ítens ao projeto que possam contribuir para superação da pobreza menstrual, indo além do acesso ao absorvente. Um exemplo seria permitir a conscientização sobre a menstruação para a aceitação do ciclo menstrual feminino como um processo natural do corpo. A vereadora recomenda que os absorventes sejam adquiridos pelo poder público por compra, doação ou outras formas, em parcerias com a iniciativa privada ou organizações não governamentais. Sugestiona ainda fazer a entrega gratuita para as alunas das escolas a partir do ensino fundamental II da rede pública, permitindo chegar também às adolescentes em regime de semiliberdade ou internação nos estabelecimentos educacionais de gestão estadual, pela prática de atos infracionais, e às detentas recolhidas nas unidades prisionais femininas do Estado. Vários estados brasileiros já adotam esta política, inclusive com a entrega gratuita destes absorventes em espaços públicos, tal como ocorre desde a década de 1990 com os preservativos. Pesquisa da ONG “Girl Up” revela que 30 milhões de mulheres menstruam no Brasil e a falta de acesso ao produto de higiene básica provoca evasão escolar e prejudica a carreira estudantil de milhares de jovens, ou seja, impacta até na evasão escolar. Outros dados do referido estudo estimam que, ao longo da vida, as mulheres gastam entre R$ 3 mil a R$ 9 mil com absorventes, o que, para muitas, devido à falta de dinheiro, torna o produto inacessível.


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