Relançamento discute obra de Carolina de Jesus, ex-favelada devoradora de livros

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Se fosse viva, Carolina Maria de Jesus, morta em 1977, estaria com 107 anos. Ela vendeu mais de 100 mil cópias do livro “Quarto de despejo”, traduzido para 13 idiomas. Também escreveu contos, poesias e romances. Negra, marginalizada, a catadora de papéis e outros materiais recicláveis, que adorava ler, até hoje é um fenômeno estudado por críticos e pesquisadores. Há dez dias, a editora Companhia das Letras relançou “Casa de alvenaria”. O resgate do livro e de toda a obra da autora mineira reúne pessoas como Vera Eunice de Jesus, presidente do conselho editorial, filha dela, e a escritora Conceição Evaristo.


Foto: arquivo O Cruzeiro/EM. Brasil – 7/4/1971
 

A ideia deste resgate foi discutir por exemplo qual a interferência do jornalista Audálio Dantas (que a descobriu) na escrita de Carolina e o motivo de os diários dela terem se tornado a face mais conhecida da obra da escritora apesar de ela ter se dedicado a outros gêneros literários. Em “A casa de Alvenaria” ela descreve novas páginas de seu novo diário onde conta a saída dos quartos de despejo, alcançando a tão sonhada casa de alvenaria. Ex-favelada, Carolina nasceu em Sacramento (MG), mas viveu boa parte de sua vida na cidade de São Paulo. Morreu aos 62 anos em função de uma crise de asma, deixando uma vasta obra, parte dela ainda inédita. A biblioteca do museu Afro-Brasil no Parque Ibirapuera, na capital paulista, leva o nome da escritora.


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