Relação política de Lerner com as universidades não foi amistosa

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A morte do ex-governador do Paraná, Jaime Lerner, na manhã de hoje, encerra uma carreira técnica reconhecida e uma atuação política marcada por polêmicas, reacendendo por exemplo um debate sobre o legado dele para as universidades estaduais paranaenses. Arquiteto e urbanista, Lerner, 83 anos, foi três vezes prefeito de Curitiba e duas vezes governador do Estado. Morreu em decorrência de complicações de doença renal crônica. O debate sobre o legado político diz respeito à condução de Lerner na área da Educação, sobretudo no ensino superior. A maior greve da história das universidades públicas, de seis meses, ocorreu na gestão dele. Outro assunto polêmico foi a implementação do pedágio, até hoje muito questionado em razão dos valores cobrados não serem proporcionais às obras feitas pelas concessionárias. Mas, nas universidades o que ainda causa muita discussão foi a proposta de autonomia universitária. As instituições, incluindo a UEM, pediram ao governador o repasse de 12% do ICMS arrecadado pelo Estado. Lerner queria autorizar 9% e, segundo o servidor público e sindicalista José Maria Marques, à época membro do Conselho de Administração (CAD) da Universidade, a contra-proposta foi recusada porque, em contrapartida, as instituições deveriam aderir ao Meta-4, sistema gerenciador da folha de pagamento. Embora o Estado alegasse que a ideia era dar transparência, as instituições viam o Meta-4 como instrumento de controle do governo. O ano era 2002. Ironicamente, hoje as universidades não têm a autonomia financeira e estão inseridas no sistema. Para muitos membros da comunidade universitária, a oportunidade foi a “bala de prata” desperdiçada. Em 2013, num artigo para o jornal O Diário, intitulado “Percepção pública da gestão universitária”, o professor Luciano Gonsalves Costa, favorável à proposta, lembrou que desde 1989 as universidades estaduais paulistas vinham exercendo a autonomia financeira, administrando com independência o repasse estadual de 9,57% da arrecadação de ICMS. “Em 2004, a Universidade Estadual da Paraíba conquistou sua autonomia, tendo direito a 3% da receita ordinária do Estado da Paraíba. Em quaisquer desses casos, a nova realidade administrativa constituída é considerada um divisor de águas na história dessas instituições!”, opinava ele. Contudo, continuou o professor, “apesar do intenso debate provocado, tanto a proposta governamental como as contra-propostas não lograram sucesso!”. Hoje, o Estado repassa dinheiro para a folha de pagamento e custeio, muitas vezes com atraso. São recursos para despesas de água, energia, telefonia, bolsistas da Central de Estágio, bolsistas Indígenas, vale transporte, bolsistas multiprofissionais, material de consumo. Como arquiteto e urbanista, Lerner deixou obras em Maringá. Cabe lembrar também que o projeto arquitetônico do câmpus sede da UEM, em Maringá, é dele. O projeto acabou sendo adaptado. O original era como uma colmeia, em que os blocos ficavam bem próximos uns dos outros. Também é dele em Maringá o projeto do Centro Esportivo Municipal (atual Vila Olímpica), além da participação na ampliação e reformulação do estádio regional Willie Davids.


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