Pressão religiosa pode causar revés na votação de Conselho LGBTI

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O clima nos bastidores sobre a nova votação de amanhã (2), desta vez em segundo turno, do projeto criando o Conselho de Direitos LGBTI+ em Maringá, é quente e envolve muita pressão contrária à aprovação da matéria. O blog apurou que setores conservadores da cidade, ligados às igrejas, especialmente as evangélicas, têm se empenhado muito nas redes sociais para convencer os seguidores do quão seria ruim a eventual criação do Conselho. Até um vídeo teria circulado nas redes sociais em nome da Ordem dos Pastores Evangélicos de Maringá (Opem). Mas, foi retirado minutos depois. Áudios no whats app falam num falso caráter fiscalizatório a que o Conselho estaria autorizado a fim de saber o que as igrejas defendem em seus cultos e missas. Há quem enxergue nisso a natureza de “Patrulha Gay”, expressão cunhada numa mesma rede social. Somando tudo, é um caldo de desinformação e preconceito. O projeto de lei enviado pelo prefeito Ulisses Maia (pois cabe ao Executivo ter a iniciativa de propor a criaçao de colegiados desta natureza) é bem claro quando explicita as funções do Conselho. Em resumo, o que se pretende é minimizar a transfobia sofrida pelos membros da comunidade LGBTI+. Como? O colegiado propondo políticas públicas de combate a este tipo de discriminação e violência. A resistência ao assunto foi observada quando a Câmara rejeitou, em julho, outro projeto que dava aos funcionários e funcionárias públicas da Prefeitura e da Câmara o direito de usar o nome social no ambiente de trabalho conforme a orientação sexual de cada um. Já, o projeto sobre a criação do Conselho foi aprovado em primeira discussão no dia 17 de agosto. Recebeu 10 votos favoráveis e 3 contrários. Na data em que seria votado em segunda discussão, com tendência de que passaria com folga, na sessão seguinte, o plenário decidiu retirar de pauta por quatro sessões, a pedido do vereador Sidnei Telles (Avante). Telles lançou a tese de que as 21 emendas apresentadas não poderiam ser analisadas a contento numa sessão agitada como em clima de torcida de futebol nas galerias, com manifestantes pró e contra o projeto. Informações do círculo restrito indicam que alguns vereadores irão recuar e mudar o voto. Mais: que o projeto será rejeitado. Vale um complemento: a minuta do projeto foi construída a partir da colaboração de diversas entidades, algumas compostas por pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá. Estes estudiosos e os militantes da causa forneceram subsídios ao município. A sessão da Câmara começa às 9h30, com transmissão pelo youube, e o projeto sugerindo a criação do COMLGBTI+ é o quarto da pauta.


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