Pacote traz isolamento, câncer e impacto ao meio ambiente

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O pontapé no traseiro do consumidor brasileiro não para de doer há oito dias. As palavras do relator do “Pacote do Veneno”, deputado federal maringaense Luiz Nishimori (PL), para justificar a lei que afrouxa o controle sobre os agrotóxicos no País, são um insulto às pessoas de bom senso. Segundo ele, o consumidor final terá acesso a um alimento mais seguro e saudável. Muito ao contrário e, como não se fosse pouco, o Brasil deve sofrer sanções de países da União Européia. A deputada Anna Cavazzini, presidente do Comitê sobre Mercado Interno e Proteção do Consumidor do Parlamento Europeu, liderou, por meses, os trabalhos do Legislativo nas relações com o Mercosul. Para ela, com o pacote do veneno tudo indica ser mais provável que os pesticidas inseguros sejam utilizados pelos agricultores brasileiros. “Isto pode ter impactos negativos não apenas sobre o meio ambiente, a biodiversidade e a saúde dos consumidores no Brasil, mas também sobre os consumidores europeus, pois frequentemente importamos agroprodutos brasileiros que possuem resíduos de pesticidas”, diz. Tramitando há 19 anos no Congresso, o projeto foi levado à votação em plenário em regime de urgência. Ele viola pelo menos seis artigos da Constituição (conforme o Ministério Público Federal) e vai tirar da Anvisa, transferindo ao Ministério da Agricultura (parece piada), o grosso da fiscalização sobre os agrotóxicos. Já existe o temor de reaparecer uma substância associada ao desenvolvimento de mutações genéticas e à doença de Parkinson, proibida pela Anvisa em 2017, conhecida por ‘paraquete”. Em uma década, 183 pessoas morreram no Brasil por intoxicação por esta substância. Detalhe: Nishimori é agricultor, assim como boa parte dos deputados membros da bancada ruralista da Câmara Federal.


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