O maior crime já cometido no país

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Lá se vão um ano e meio sobre o alerta feito pelo economista Eduardo Moreira de que estava em andamento um plano terrível contra a soberania brasileira no campo, planejado por duas grandes figuras do alto escalão da República, uma delas agora fora do govermo. Mas, mas continua assustadora a denuncia devido aos argumentos apresentados. Vamos aos fatos acerca do que Moreira chamou de o maior crime já cometido no País.

Segundo o economista, menos de 1% dos proprietários de terras no País têm 50% das áreas cultiváveis. Um em cada dois mil destes possui 15% das terras, enquanto 50% dos pequenos são donos de apenas 2%. São nas pequenas propriedades que a maioria das pessoas estão empregadas. Dois em cada três empregados no campo estavam nestas propriedades. Ao longo dos últimos 10 anos, os pequenos produtores rurais, responsáveis pela maioria da comida servida no País, reduziram a área cultivada em 20% nas lavouras temporárias, de ondem saem os alimentos. No mesmo período, os grandes latifúndios aumentaram a área de produção de grãos exportáveis em mais de 45%.

“Temos o maior rebanho do mundo e não podemos comer carne. Deixamos de estimular o aumento da produção de comida que chega às nossas mesas para produzir ração aos porcos na China, óleo de cozinha para a Europa, ração para os animais nos Estados Unidos”, disse o economista no vídeo de cerca de 26 minutos, disponível no Youtube. Conforme ele, o plano funciona baseado em quatro pilares. Os quatro pilares somados a outras duas medidas prontas para serem aprovadas à época iriam consolidar a destruição em andamento.

O primeiro deles é o dólar mais alto. O grande produtor consegue casar a venda em dólar com a compra de equipamentos e insumos também na moeda norte-americana, sem contar os benefícios tributários de que desfruta por exportar. O pequeno passa a ficar completamente sufocado em termos de competitividade. O segundo pilar, adotado a partir do governo de Michel Temer, foi o enfraquecimento dos programas de compras governamentais de alimentos produzidos pela agricultura familiar. O crescimento dos grandes latifúndios cresceu 45% nos últimos 10 anos. Na agricultura familiar, o número de pessoas empregadas por estabelecimentos se manteve praticamente estável no período. O terceiro é a liberação recorde de agrotóxicos. Somente 30% dos pequenos usam agrotóxicos e entre os grandes produtores 92% utilizam. O quarto e último pilar é o financiamento. Os juros mais baixos se tornam muito mais favoráveis aos grandes, uma vez que os pequenos não tem ativos para dar em garantia na hora do empréstimo.

As duas medidas ligadas a estes pilares, apresentadas por Bolsonaro para serem aprovadas a toque de caixa, são a que permite aos investidores estrangeros comprar até 25% das áreas dos municípios e a que consiste em entregar o título da terra aos assentados pela reforma agrária. Fazendo isso, o governo “vende” a ideia para a sociedade como se fosse algo positivo, pois os assentados poderiam usar estes títulos como garantia na obtenção de financiamento.

Mas, o verdadeiro interesse nesta medida é sufocar o beneficiado até o ponto de ele vender a terra devido à falta de condição de sobreviver apenas do que é produzido no próprio lote, sem abrir mão da preservação ambiental e da degradação do solo. E esta terra acabará sendo vendida ao grande latifundiário ou ao investidor estrangeiro, agora autorizado a compra propriedades nos municípios.

O pior de todo este plano, segundo Moreira, é que ele está sendo comandado por gente que mora no exterior. Basta pensar que 54% do custo do que é produzido pelo agronegócio brasileiro vem dos agrotóxicos, adubos, implementos agrícolas, máquinas e tratores, todos importados. E quem fabrica tudo isso? As empresas estrangeiras, chamadas transnacionais. O que vem ocorrendo é a transferência das terras do agricultor familiar para os grandes latifundiários e os investidores estrangeiros a fim de estimular o uso de todos estes produtos.

Eram duas as pessoas responsáveis por tocar o plano: o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles; e o secretário para Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Naban Garcia. Oriundo da região de Presidente Prudente, Naban teria, conforme o economista, envolvimento com pistoleiros, milícias e assassinatos no campo. Não é à toa que os indígenas e líderes de movimentos pela reforma agrária estão sendo mortos à medida em que os pilares do plano são colocados em prática, segundo Moreira.

Ele desafia o leitor ou leitora a mostrar esta história publicada num veículo da mídia tradicional brasileira. Isso porque, assinala o economista, os donos destes veículos são fazendeiros, latifundiários, interessados nas medidas em curso. Consequência do plano: enquanto alimentamos os animais do resto do mundo com ração, teremos no país mais pessoas desempregadas no campo, passando fome e migrando para as favelas das cidades, onde perderão os filhos para o tráfico de drogas, além de ter alimentos cada vez mais caros à mesa e menos direitos as suas terras.

Assim, conclui Moreira, vai acabar a única coisa que o Brasil tinha de diferente do restante do planeta: um patrimônio de recursos naturais absolutamente sem igual. Eleito um dos três melhores economistas do País pela revista Investidor Institucional, Eduardo Moreira foi apontado pela Universidade da Califórnia como o melhor aluno do Curso de Economia nos últimos 15 anos. É autor de best-sellers e o primeiro brasileiro a ser condecorado pela rainha Elizabeth II no Castelo de Windsor, em junho de 2012.


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