O artista da superação mostra seu talento

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O artista plástico Márcio Nalon está expondo quadros de sua obra no Shopping Cidade, em Maringá, na exposição “Superação pela Arte”. Márcio, que hoje faz aniversário, completando 42 anos de vida, tem uma história de vencer obstáculos e desafios. Aos 19 anos, sofreu um acidente e ficou tetraplégico. Ficou cinco dias na UTI. Recebeu alta hospitalar oito meses depois. Um ano após resolveu fazer pintura, além de desenhar caricaturas. Os primeiros quadros foram dados de presente para algumas pessoas, entre elas os profissionais da fisioterapia. Um amigo entregou uma tela de Márcio para a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI). Lá, ele fez curso e deu aulas na própria entidade. Em 2010, passou a encarar o trabalho mais a sério, continuando a ensinar na APMI e na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Sarandi, onde mora. A primeira exposição ocorreu em 2012, no Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), quando adotou um estilo livre nas obras. Hoje, Márcio pratica uma pintura moderna, mais voltada ao impressionismo realista. Como morou no campo, gosta da pintura raiz, retratando propriedades rurais, embora não fique preso a um tema apenas. Quando pinta uma tela de paisagem, diz que sai literalmente do quarto. “Entro na paisagem, eu estou viajando no mundo da tela”, descreve. No final do ano passado, ele enfrentou um quadro grave de saúde, decorrente da depressão, e mais uma vez foi parar na UTI. Os amigos ligavam, perguntando sobre o trabalho dele, e isso levou Márcio a voltar ao ofício aos poucos, ainda com dificuldade. Enquanto era submetido à terapia intensiva, pensou muito no sofrimento da mãe diante da situação frágil do filho, o que o motivou a retomar a pintura. Foi quando surgiu o convite do shopping para que mostrasse suas obras. Márcio teve muito gasto com a montagem da exposição.

Arte da exposição das telas de Márcio

Para cobrir estas e outras despesas, contou com a ajuda de amigos, especialmente no começo deste ano. A contribuição foi oportuna porque o artista tem outras contas a pagar, como aluguel, internet e principalmente farmácia, em razão do consumo de medicamentos e de fraldas. Ele também é quem faz as compras de supermercado. Apesar da pintura em tela dar algum suporte financeiro, Márcio nunca dispensa apoio. Numa obra, gasta em média R$ 400,00 em materiais e cerca de R$ 200,00 numa moldura. Com o trabalho que faz, ele também quer motivar outras pessoas acamadas. Razão pela qual tem uma página no Facebook e outra no Instagram chamada “Superação pela Arte”.

Equipe de jornalismo da Band mostra o trabalho do artista

Na verdade, o artista é semi-tetraplégico. Perdeu os movimentos abaixo do tórax. Consegue mexer os braços, mas as mãos ficam imóveis. Por isso, precisa amarrar o pincel na mão para poder pintar. Além disso, faz hemodiálise três vezes por semana. A mãe sempre o ajuda quando está em casa, pois trabalha fora metade do dia. Márcio contratou uma pessoa para dar este suporte na ausência da mãe. Apesar das dificuldades, ele é muito solidário. Outro dia, ao receber uma visita, doou várias latas de suplemento alimentar. Havia ganhado bastante e pediu à amiga que repassasse adiante porque queria dividir com quem estaria precisando também. A exposição dele prossegue até o dia 30 de junho. Quem quiser e puder ajudar o artista é só entrar em contato pelo telefone (zap) 9 9702-7528.


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