Livro reforça tese de que fracasso da transição para políticas mais inclusivas levou à eleição de Bolsonaro

Compartilhe;

Chega ao Brasil o livro “O Corredor Estreito”, com o subtítulo “Estados, sociedades e o destino da liberdade”, dos economistas norte-americanos Daron Acemoglu e James A Robinson, autores do best-seller “Por que as nações fracassam”.
No formato e-book e impresso, a nova obra, sob o selo da Editora Intrínseca, traz um levantamento das formas que a relação entre sociedade e Estado podem tomar a partir de uma base elementar: a liberdade ou a ausência dela.
No centro da teoria que apresentam, os dois explicam que a liberdade só é mantida por meio de um embate constante entre a população e quem a governa. Se um Estado forte é necessário para conter a violência, impor a ordem, fomentar a prosperidade econômica e oferecer meios para que a população possa seguir os caminhos que escolher, é igualmente importante uma sociedade forte e mobilizada para controlar e limitar os excessos do poder estatal.
Em tempos de incertezas e instabilidade, o talento de Daron e James constrói neste livro os caminhos pelos quais sociedade e Estado podem colaborar para o desenvolvimento mútuo.
Ainda nesta obra, eles tratam do Leviatã Despótico, um Estado que não provê meios para que pessoas comuns possam opinar sobre como seu poder é usado; do Leviatã Ausente, em que a sociedade se sobrepõe ao Estado; e do Leviatã de Papel (presente na América Latina), em que falta competência ao Estado enquanto a sociedade também não tem capacidade para influenciá-lo ou controlá-lo.
Leia trecho da entrevista dada por Daron ao portal de notícias Terra no último dia 3 de junho:

O governo Bolsonaro reforça o Leviatã de Papel ou apenas o mantém como estava?

Acho que reforça, porque ele parece estar minando instituições. Mas o PT também fez isso. No início dos governos do PT, vimos uma tentativa de construção de uma sociedade forte, de envolver a sociedade e tornar o Estado mais transparente. No primeiro governo Lula, foram introduzidas medidas para reduzir a corrupção. Mas, antes mesmo de Bolsonaro se tornar presidente, os políticos brasileiros acabaram com essas medidas. Isso aconteceu porque elas não eram de interesse da classe política. Aí houve o fracasso da transição para um país com instituições políticas mais inclusivas. E eu diria que as pessoas votaram em alguém como Bolsonaro porque estavam muito desiludidas com o status quo e com esse fracasso. O otimismo e as esperanças eram muito altos no Brasil. As pessoas ficaram desesperadas quando se decepcionaram. Então quiseram tentar algo diferente.

Quem são

Daron é professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, MIT na sigla para o inglês. Recebeu em 2005, por exemplo, a Medalha John Bates Clark, concedida a economistas com menos de quarenta anos cujas contribuições para o pensamento e o conhecimento econômico sejam consideradas de maior relevância.
James é cientista político e economista, professor da Universidade de Chicago. Especialista de renome mundial em América Latina e África, está realizando pesquisas na Bolívia, na República Democrática do Congo, em Serra Leoa, no Haiti e na Colômbia, onde lecionou por muitos anos em cursos de verão na Universidade dos Andes, em Bogotá.


Compartilhe;