Líder exalta avião da Embraer, mas não tentou impedir venda à Boeing

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O KC 390, avião cargueiro fabricado pela Embraer, que o líder do governo na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (PP), visitou nesta quinta-feira (30), com registro nas redes sociais dele, é uma destas joias raras desenvolvidas com tecnologia brasileira, iniciada por suporte financeiro da União. Joia esta que pertenceria à Boeing caso não tivesse falhado a transação que culminaria na transferêcia do controle acionário da Embraer. O processo de venda, iniciado na administração de Michel Temer, de quem Barros foi ministro, dependia da aprovação do governo federal. E Temer daria o aval. Bolsonaro também. Mas, o processo carecia de transparência, o que gerou pedidos na Justiça para barrar o negócio. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê) contra a venda. Para ele, haveria abuso de poder econômico e o negócio entre as duas companhias criaria barreiras para entrada de novas empresas no setor aeroespacial. Ou seja, a compra da Embraer “inevitavelmente elevará as companhias a uma posição dominante no já concentrado mercado aeroespacial, de modo a reduzir significativamente a concorrência”, disse Ciro. Em abril de 2020, a Boeing comunicou a desistência da compra. Surgida com recursos públicos, vitais para a alavancagem da empresa, a Embraer foi privatizada. Sob o manto da iniciativa privada, continuou dando orgulho aos brasileiros pelo arrojo na fabricação de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares. É a terceira do setor no mundo, atrás apenas da Airbus e da Boeing. Barros se gabou hoje de ter destinado, quando era relator-geral do Orçamento da União, em 2015, recursos para a conclusão do KC 390 e posterior certificação. Mas, nada fez para impedir a frustrada venda que tinha todos os indícios mal cheirosos. O KC é um avião para transporte tático/logístico e faz reabastecimento em voo.


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