Grupo faz contraponto à OAB local e apoia mulher na DM

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Composto por advogados de oposição à atual diretoria da OAB local, o movimento “Algo Novo na Advocacia Paranaense” divulgou nesta tarde manifesto de apoio à nomeação de uma mulher para chefiar a Delegacia da Mulher de Maringá. O posicionamento faz contraponto ao comando da subseção maringaense da Ordem dos Advogados que, na semana passada, visitou o delegado Rodolfo Vieira Nanes na DM, e divulgou nota de apoio à permanência dele na Delegacia da Mulher. A presidência da subseção é da advogada e professora da UEM, Ana Cláudia Pirajá Bandeira. O caso sobre a troca na DM já rendeu protestos desde a notícia de que Nanes estaria nomeado pelo governo como o chefe da unidade. Com apoio do prefeito Ulisses Maia (PSD), entidades de defesa da mulher conseguiram reverter a nomeação ao obter da Secretaria Estadual de Segurança Pública a garantia de que a delegada Karen Friedrich Nascimento assumiria a direção da DM. Mas, o Conselho Tutelar Zonas Norte e Sul produziu moção de repúdio à transferência de Karen, colocando-se contra a saída dela do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes). O assunto ainda promete. Leia a íntegra da manifestação do “Algo Novo” publicada nas redes sociais:

“O Movimento Algo Novo na Advocacia Paranaense, em face de toda a movimentação institucional e popular decorrente da substituição da antiga Delegada titular da Delegacia da Mulher de Maringá, vem a público se posicionar. Em primeiro lugar, o Movimento Algo Novo ressalva que nada tem contra a pessoa do Delegado inicialmente nomeado para assumir a Delegacia da Mulher de Maringá. Presume se tratar de profissional competente, característica sem a qual provavelmente não teria sido aprovado no concurso que lhe conferiu tão eminente cargo público. Esta mesma autoridade policial, contudo, não desfruta da característica que se espera de quem esteja à frente da uma Delegacia da Mulher: a empatia e a representatividade estratégica própria da compreensão das violências implicadas no gênero, tampouco de garantir, para o conjunto da sociedade, que uma mulher dispõe de todos os demais atributos fundamentais para o exercício de tão valiosa tarefa. Saudamos, portanto, a eficaz mobilização das organizações e movimentos sociais feministas de Maringá, que prontamente rechaçaram a substituição mencionada. Sem assinalado posicionamento, a anunciada nova redistribuição de autoridades policiais, tornando possível que uma profissional feminina retome a condução da Delegacia da Mulher, não teria se verificado. A tal conclusão chegamos inclusive porque a OAB de Maringá, mesmo diante da irresignação do conjunto organizado das mulheres, não demorou para divulgar desnecessário, inoportuno e não debatido com os pares apoio à nomeação de um homem para um espaço que a sociedade brasileira há tempos vinha assegurando pertencer às mulheres, como conquista histórica, cada vez mais necessária, porém. A demanda pela nomeação de uma mulher para chefiar a Delegacia correspondente deve persistir. Ao Estado compete cumpri-la, inclusive por recomendação legal. Tão ou mais importante é manter a unidade que as lutas sociais, mais do que nunca, estão hoje exigindo. Semear dissidências, neste caso, é reforçar o patriarcado e a opressão que sobre ele se sustenta.

Movimento Algo Novo na Advocacia Paranaense”.

 


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