Exposição traz os indígenas como “os primeiros designers do Brasil”

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Enquanto o Brasil acompanha perplexo as investigações sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, está abrigando uma exposição que mostra mais de 200 bancos de 40 etnias da Coleção BEI, numa extensão produção que faz a direção do MON ter a convicção de que os povos indígena são os primeiros designers brasileiros.
A exposição “Bancos Indígenas do Brasil”, sob a curadoria é de Marisa Moreira Salles e Tomas Alvim, se divide em duas partes, sendo a primeira é dedicada à extensa produção da Terra Indígena do Xingu, no Mato Grosso. A segunda parte reúne demais povos indígenas de várias partes da Amazônia, localizadas no Acre, Pará, Tocantins, Maranhão, Roraima, Amapá e Amazonas. A exposição conta ainda com um banco de uma etnia de Santa Catarina e com seis grandes imagens feitas pelo fotógrafo Rafael Costa, no Território Indígena do Xingu (TIX).
Com esta mostra, o Museu, que está completando 20 anos de atividades, busca estabelecer diálogos entre culturas e territórios por meio da arte. “Se pensarmos nos povos indígenas como primeiros designers brasileiros, podemos alongar o olhar sobre a sua imensa contribuição em variados aspectos da cultura”, diz Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON.
Ao visitar a exposição, a pessoa verá formas, cores, grafismos e texturas dos bancos indígenas brasileiros. A coleção BEI abrange mais de 500 peças. Os bancos aliam funcionalidade e beleza, ao mesmo tempo que são reconhecidos como objetos de arte e design, preservando sua dimensão religiosa e simbólica.
Esculpidos em madeira, muitas vezes em formatos de animais, decorados com grafismos ou coloridos com pigmentos diversos, eles espelham o universo cultural e a cosmologia das etnias que os criam. Por sua extensão e importância, a Coleção BEI é hoje uma referência em arte indígena brasileira. Seus bancos vêm sendo expostos em instituições do Brasil e do mundo, contribuindo para abrir novos horizontes de reflexão sobre as complexas inter-relações entre as artes tradicionais e a cultura contemporânea.


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