Estudo inédito com ajuda da UEM alia nanotecnologia e óleo de copaíba para combater infecções graves

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Foto: Pedro Amatuzzi

Composto desenvolvido com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) pode combater inclusive uma bactéria encontrada na mucosa vaginal de grávidas, transmitida ao bebê no parto, sendo uma das principais causas de infecção generalizada em recém-nascidos. O produto acaba de ser patenteado e foi gerado a partir de óleo da planta medicinal copaíba com nanopartículas de prata produzidas a partir de fungos.

Além de cientistas da UEM, a tecnologia tem o envolvimento de pesquisadores das universidades estaduais de Londrina (UEL) e Campinas (Unicamp) e ainda da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Para verificar a eficácia do antimicrobiano, eles fizeram ensaios com microrganismos, entre eles a bactéria Streptococcus agalactiae (que pode colonizar a mucosa vaginal de gestantes) e o fungo Candida albicans, responsável pela candidíase. Segundo o professor Nelson Duran, da Unicamp, um dos pioneiros no Brasil em nanobiotecnologia, a ação das nanopartículas de prata é extremamente eficiente por matar as bactérias e, ao associá-las com o óleo de copaíba, tem-se uma sinergia. Conforme ele, a nanotecnologia auxilia na atividade, na reatividade e faz o efeito antimicrobiano atuar por muito mais tempo.

De acordo com os pesquisadores, o novo composto é de maior eficácia terapêutica e redução nas concentrações dos componentes, o que diminui os efeitos adversos. A tecnologia pode ser usada em formulações de cremes e pomadas antissépticos e antimicrobianos, produtos de limpeza, sanitizantes e até roupas.

Segundo a Agência de Inovação Inova Unicamp, a exploração comercial da tecnologia, vista como uma alternativa natural e de baixo custo de produção para o tratamento de infecções causadas por microrganismos multirresistentes, pode ser feita a partir do licenciamento dela por empresas que, em contrapartida, deverão destinar parte dos ganhos obtidos às universidades envolvidas, incluindo a UEM. Isso possibilita a manutenção dos investimentos em laboratórios e materiais para pesquisas. O próximo passo do grupo interinstitucional é testar a eficácia da combinação das nanopartículas de prata e óleo de copaíba contra vírus, em especial o novo coronavírus. (Reportagem publicada pela UEM e baseada em matéria de Ana Paula Palazi, originalmente publicada no site da Agência de Inovação da Unicamp).


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