Dono da Precisa, o homem da Covaxin nasceu em Mandaguari

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Figura conhecida no submundo da política em Brasília, amigo de muitos parlamentares, o empresário Francisco Maximiano (foto) nasceu numa família simples em Mandaguari, cidade a 28 quilômetros de Maringá, com pouco mais de 35 mil habitantes. Conhecido por Max, ele é “um empresário das Sombras”, como definiu a revista Piauí, de circulação nacional, em reportagem feita por Ana Clara Costa.

A repórter traça o perfil do empresário, o homem da Covaxin. Conforme a jornalista, Max tem uma vida discreta, rolos intermináveis e as contas bancárias sempre vazias. Ele controla a Global, uma holding com várias empresas, incluindo a Precisa Medicamentos, contra a qual pesa suspeita de irregularidades na compra da vacina indiana. Max “é conhecido pela polidez no trato pessoal e pela forma engenhosa com que faz negócios em múltiplos setores, nos quais frequentemente se envolve em disputas contenciosas por não honrar compromissos previamente acordados. É com ele que o governo aceitou fazer negócio”. O empresário intermediou o contrato entre o laboratório indiano Bharat Biotech e o governo Bolsonaro na aquisição de 20 milhões de doses por 1,6 bilhão de reais. Foi a compra de vacina mais cara já feita pelo Brasil no combate à pandemia do coronavírus. O contrato foi suspenso agora, quatro meses depois da assinatura, por causa da denúncia de corrupção feita pelos irmãos Miranda.

A Piauí lembra que Max virou peça chave para a CPI da Pandemia, mas conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para ficar em silêncio. A repórter conta que ele é dono de mais de uma dezena de empresas de consultoria e intermediação de negócios e, além de frequentar os corredores de Brasília há mais de uma década, também frequenta investigações criminais, embora até o início deste ano nunca tivesse sido formalmente investigado. A reportagem mostra como Max começou a ganhar dinheiro do governo federal, quando abocanhou logo de cara, em 2012, no governo Dilma Rousseff (PT), o contrato com os Correios para gerir o benefício farmacêutico dos pensionistas. O negócio lhe rendeu mais de 60 milhões de reais.

Dos vários rolos envolvendo ele, em 2017, a Global firmou um contrato de 20 milhões de reais com o Ministério da Saúde para fornecer remédios para doenças raras. Max recebeu o dinheiro, não entregou o produto e, por isso, a empresa é investigada juntamente com o deputado federal Ricardo Barros (PP), ministro da Saúde na época, hoje líder do governo Bolsonaro na Câmara. “Quem conhece Francisco Maximiano diz se tratar de uma pessoa educada e discreta. Está sempre vestido em ternos bem cortados e cabelo alinhado, dirigindo carros importados e usando bons relógios. Sua prosperidade, contudo, nunca é tema de conversas. Max não comenta sobre quem são os seus parceiros em Brasília. Limita-se sempre a dizer que tem bons contatos em diferentes partidos e que ‘circula bem’”, descreve a repórter.

Ainda segundo Ana Clara, Max não gosta de festas nem de eventos sociais, a não ser aqueles promovidos por empresas de saúde em que possam surgir possibilidades de negócio. “Mesmo nesses eventos, é categórico sobre nunca aparecer em fotos. Já sua mulher, Andrea, de São Paulo, era figura mais recorrente no circuito social de Brasília”, revela. Conforme a revista, o empresário tem entre seus programas prediletos o gosto pelas viagens aos Estados Unidos, especialmente percorrendo grandes distâncias em motor home, na companhia dos filhos e da mulher. Max tem 48 anos e casou jovem, em 1994, quando a mulher tinha 17 anos. Ambos compartilham a alta estatura. Andrea tem perto de 1,80 metro e ele quase 1,90 metro, os dois de pele clara. A esposa possui os cabelos loiros e é magra, enquanto Max tem os fios mais escuros e a figura mais rechonchuda.


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