Culpa do relativismo epistêmico na academia

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Por Gustavo Castañon (*)

Quando Osmar Terra (foto), um médico, diz numa CPI que o povo brasileiro precisa “ouvir dois lados” em relação a ciência, isso tem origem na destruição causada pelo relativismo epistêmico em nossa academia, na tese de que existem “vários saberes” igualmente válidos sobre a mesma coisa. Dizer isso é bem diferente você dizer que há vários pontos de vista sobre a mesma coisa de dizer que há duas afirmações contrárias sobre a mesma coisa igualmente verdadeiras. A primeira é um truísmo, a segunda, uma depravação racional e moral. Há vinte anos e treze anos publicava dissertações que explicavam detalhadamente como a cepa construtivista social do relativismo (que conta também com a destruição dos pós-pós: pós-modernismo, pós-colonialismo, pós-estruturalismo, desconstrucionismo) ia nos trazer até aqui: o momento em que querem decidir o que é verdadeiro politicamente. E vejam bem, não é decidir o que politicamente se considerará verdadeiro, isso é o que se faz em sociedade. É acreditar que a decisão política determina o que é verdade DE FATO.

Adivinhem quem vai ganhar essa brincadeira?

São as minorias?

(*)  Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)


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