Contagem regressiva para o blefe do golpe bolsonarista no 7/9

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Por Ricardo Noblat (Metrópoles)

General não dá golpe para entronizar um ex-capitão como ditador

Faltam cinco dias para que se abram as cortinas do espetáculo montado pelo presidente Jair Bolsonaro, seus devotos milicianos, militares da reserva e policiais da ativa a pretexto de celebrar o Sete de Setembro. Variantes da Covid-19 grassam por aí, mas isso não importa. Aglomerar é preciso, para dar a impressão de que Bolsonaro não está cada vez mais isolado e que controla a situação.Haverá golpe? – é a pergunta que muitos se fazem. Se não no dia 7, pelo menos nos seguintes? A depender do gigantismo das multidões, o presidente poderá decretar o Estado de Emergência no país, pôr as Forças Armadas nas ruas e suspender o funcionamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal? A resposta é outra pergunta: com o apoio de quem ele faria isso?

General não apoia golpe para entronizar ex-capitão como ditador. Não faltou apoio popular ao golpe de 64. Quando começou a faltar quatro anos depois, a ditadura tirou a máscara e governou com a ponta dos fuzis. O mundo era outro. Capitalismo e comunista disputavam corações e mentes. Cuba exportava a revolução. E assim se passaram 21 anos até que a ditadura se esfarelou.
Bolsonaro conseguiu abortar o ensaio de desembarque do seu governo de industriais e banqueiros paulistas, o que está longe de significar que eles apoiariam um golpe. Fale de golpe junto ao setor mais moderno e produtivo do agronegócio e veja qual seria sua reação. Consulte Joe Biden a respeito – ou melhor: não o faça. Ele já mandou dizer a Bolsonaro o que pensa a respeito.

Na manifestação do dia 13 de março de 2016 em São Paulo, que deixou em estado de choque o governo da presidente Dilma e ajudou a precipitar a sua queda, a Polícia Militar contou 1,4 milhão de pessoas na Avenida Paulista, o Movimento Vem Pra Rua, 2,5 milhões, e o Datafolha 500.000. Simplesmente não cabem 1 milhão de pessoas na Paulista.

‘A avenida tem 136.000 metros quadrados disponíveis para a concentração de pessoas – incluindo vias, calçadas, canteiro central, vão livre do MASP e até mesmo os túneis sob a Praça do Ciclista. Para caber 1 milhão de pessoas neste espaço, seria preciso haver uma concentração de 7,5 pessoas por metro quadrado ao longo de toda a área disponível’, segundo publicou à época a Veja.

Seria algo inviável. Para efeito de comparação, nos horários de pico do metrô, a concentração nos vagões é algo entre 6 e 7 pessoas por metro quadrado, e elas mal se movem, acomodam-se umas coladas às outras. Na Praça dos Três Poderes, em Brasília, só cabem 530 mil, lotação jamais registrada. Para lotar a Praça e a Esplanada dos Ministérios, seriam necessárias 2,3 milhões.

Você acha que o blefe bolsonarista reunirá tanta gente na próxima terça-feira? Ou que, chutando por alto, 2 a 3 milhões de pessoas bastariam para criar o clima capaz de tornar o golpe irreversível? Em 2006, 500 membros de uma dissidência do MST invadiram o Congresso e quebraram vidraças. Foram presos. Bolsonaristas já tentaram incendiar o STF, a líder foi presa.

Aproveite o feriadão para relaxar. Se houver golpe, ele será transmitido ao vivo pela televisão e depois comentado em intermináveis rodas de especialistas. Duro será mantê-lo.


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