Brasil celebra 90 anos de conquista do voto feminino

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Quem acredita que somente a política é capaz de mudar a estrutura de desigualdade e injustiça social de um País e que a mulher investida de mandato é imprescindível neste processo, há muito o que se comemorar amanhã, quinta-feira (24), com a celebração dos 90 anos de conquista do voto feminino no Brasil. Chegar a isso não foi fácil, precisou de pelo menos 100 anos de luta. A partir desta data, em 1932, elas ganharam o direito de também votar e hoje são 52% do eleitorado. Mostraram que sabem escolher e, só para ficar em alguns exemplos, existem mulheres de vários partidos eleitas para defender segmentos que vão do movimento sindical, passando pelos direitos LGBT e dos povos indígenas, negros, ao agronegócio e o segmento empresarial.

Em 1932, Getúlio Vargas instituiu o Código Eleitoral Brasileiro, definindo que todo cidadão maior de 21 anos seria eleitor, estabelecendo assim, por lei, o direito ao voto feminino. Porém, não havia obrigatoriedade das mulheres votarem e tal direito dependia da autorização do marido. Mesmo assim, Carlota Pereira de Queirós se torna em 1934 a primeira deputada federal eleita no País, durante o governo Vargas, representando o Estado de São Paulo.

Antes deste decreto de Vargas, a luta pelo voto das mulheres havia se consolidado em Mossoró, Rio Grande do Norte. Em 25 de novembro de 1927, aconteceu a primeira concessão de voto à mulher no País, com a professora Celina Guimarães Viana, por meio de uma lei estadual, conseguindo ter seu direito estabelecido, o que depois se estendeu a outras mulheres.

Também no RN, Luíza Alzira Soriano Teixeira passa a ser, em 1928, a primeira prefeita eleita no Brasil e em toda a América Latina na cidade de Lajes. O Brasil conta hoje com o Instituto Alzira, organização sem fins lucrativos com a missão de contribuir para o aumento da representação feminina na política.

Vale render homenagem a figuras como a professora Maria Lacerda de Moura e a bióloga Bertha Lutz, que, nos anos 20, fundaram a Liga para a Emancipação Internacional da Mulher. O objetivo? A igualdade política das mulheres.

Mais de 77 milhões de brasileiras devem votar nas eleições de outubro. Mas, muito ainda há que ser conquistado para que de fato, por meio do voto feminino, haja um crescente marco na luta das mulheres por igualdade de direitos com os homens. Maringá nunca teve uma prefeita. A Câmara Municipal teve poucas mulheres eleitas em sua história. Somente duas vereadoras, professora Ana Lúcia Rodrigues (PDT) e Cris Lauer (PSL), compõem a bancada feminina na Casa.

Como lembrou nesta quarta-feira Ana Lúcia Rodrigues, “a tradição brasileira ‘mansa e pacífica’, de negativa do voto à mulher, quebrou-se somente com o Código Eleitoral de 1932, publicado há exatos 90 anos”.


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