Bolsonaro pode se filiar ao PP para tentar a reeleição

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Ciro e Bolsonaro se abraçam

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria desistido de criar um novo partido e está buscando um que possa abrigá-lo na disputa pela reeleição, mas enfrenta resistências ao seu comando. Nesta segunda-feira, o jornal “Estado de Minas” em reportagem assinada por Augusto Fernandes diz que Bolsonaro não esconde mais a possibilidade de se filiar a uma legenda política já existente. Bem estruturados, os partidos que ele procurou até agora resistem em abrir mão de tudo o que construíram simplesmente para acomodar o novo filiado. Nos últimos meses, o presidente conversou com líderes do PL, Republicanos, PTB, Patriota, PRTB, PP e PSL, último partido ao qual se filiou. Bolsonaro sinalizou a todos eles que gostaria de ter a liberdade de indicar nomes para comandar os diretórios das agremiações nos estados, o que lhe daria mais poder para definir estratégias visando ao pleito de 2022. Em contrapartida, foi avisado de que as siglas não estão dispostas a tomar uma decisão tão arriscada como essa, que seria capaz de mudar a identidade e o perfil do partido. Nos últimos dias, o senador Flávio Bolsonaro anunciou sua desfiliação do Republicanos para ajudar o presidente nas negociações por um novo partido. No momento, a sigla que está mais próxima de contar com os Bolsonaros dentre os seus filiados é o PP. A agremiação tem importantes aliados do presidente no Congresso Nacional, como o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do partido. Sem contar que o PP também é a sigla do líder de Bolsonaro na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros. Segundo a reportagem de “Estado de Minas”, jogam a favor do partido o fato de o presidente da República já ter sido membro do PP no passado e a articulação feita por Lira e Nogueira ao longo de 2020 para que o governo conseguisse construir uma base de sustentação no parlamento com o Centrão. Era a estratégia para aprovar matérias de interesse do Planalto e blindar o mandatário de qualquer processo de impeachment que possa ser aberto no Congresso. Por mais que saiba da vontade do PP em abrigar a candidatura dele em 2022, Bolsonaro não está com pressa de bater o martelo. O presidente avalia que o processo de escolha de um partido vai ser o aspecto menos importante para definir o seu desempenho nas urnas em 2022. Afinal, devido à influência política que tem atualmente, o mandatário conseguiria manter o seu eleitorado mais fiel mobilizado independentemente de a qual legenda ele esteja filiado. Mas, cientistas políticos entendem que o presidente precisa colocar um ponto final nessa questão o quanto antes. Caso ele deixe para decidir às vésperas do prazo mínimo de seis meses (estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral) para que um político seja filiado e possa disputar as eleições, as exigências da legenda para abrigar o mandatário podem ser muito altas. Os analistas também observam que a preocupação de Bolsonaro em querer assumir uma posição de comando nos partidos pode atrapalhar os planos dele para as eleições. Para o cientista político Enrico Ribeiro, coordenador legislativo da Queiroz Assessoria em Relações Institucionais e Governamentais, “é muito ruim um presidente da República gastar o tempo de reeleição, ainda mais na situação em que Bolsonaro está, com alta rejeição e a popularidade corroendo, querendo controlar um partido”. Nesse momento, segundo Ribeiro, o presidente precisa “é de uma legenda com capilaridade, já estabelecida, que facilite as articulações para a construção de uma coligação. Se ele não se atentar a isso, não conseguirá se mobilizar de forma tão efetiva”, pondera.


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