Audiência avança em propostas para ampliar lazer à criança com deficiência

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Audiência pública ocorrida ontem em Curitiba debateu as formas de ampliar o acesso ao lazer para as crianças com deficiência nos espaços públicos, tema de um projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Michele Caputo (PSDB), coordenador do evento. E quando se fala em lazer, o parlamentar entende que ele nada mais isso também é do que uma forma de proporcionar a inclusão às crianças com deficiência em ambientes como parques e praças, com brinquedos e equipamentos acessíveis, além de jamais esquecer de se proporcionar atividades e ter pessoas capacitadas nos eventos para atender este público de maneira acolhedora e responsável.

Tendo por princípio que o lazer não é nenhuma benevolência dos governos, mas um direito social assegurado pela Constituição de 1988, Caputo assegura que este direito precisa ter o respaldo de políticas, ações e legislações. Ele vai encaminhar as principais propostas da audiência à Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência da Alep e aos parlamentares, para que possam incluir o tema nas emendas.

O encontro teve a participação especial de Laura Mueller, de 13 anos, usuária e equipamento adaptado em parques. Ela, que é atendida no projeto LIA Curitiba, reforçou a importância da instalação de brinquedos e equipamentos inclusivos. Além de pessoas da sociedade civil, a senadora Mara Gabrilli (PSDB), que atua nas causas de inclusão e acessibilidade no Congresso, foi representada na discussão por sua assessora Matongo Monteiro. Também marcou presença o deputado Soldado Fruet (Pros).

Funções cognitivas

Fundadora do projeto LIA, Shirley Ordonio, do grupo Paraná de Doenças e Síndromes Raras, destacou no encontro a importância da mobilização visando inserir na pauta da ação do poder público a implantação de espaços e equipamentos de lazer para este grupo de crianças. O nome do projeto são as iniciais de Lazer, Inclusão e Acessibilidade, programa que aos poucos envolveu mães de todo o Brasil

A neuropsicopedagoga Daiane Kock, que também atua no LIA e no Grupo Paraná de Doenças e Síndromes Raras, disse que a proposta não visa somente a diversão, “que já é algo maravilhoso para essas crianças”, mas o processo de aprendizagem. Para Daiane, a brincadeira funciona como uma terapia complementar. A partir dessa brincadeira, a criança desenvolve suas funções cognitivas. Ajuda inclusive no controle e na expressão das emoções. Para isso, essas crianças precisam de estímulo. E a brincadeira proporciona isso.

A audiência serviu para que gestores e especialistas reforçassem a relevância de projetos para inclusão de crianças deficientes no Paraná. Um deles, a professora doutora Maria Lucia Miyake Okumura, engenheira e pesquisadora em Tecnologia Assistiva da PUC Paraná, destacou a importância do desenho universal de produtos para o atendimento às pessoas com deficiência.

Comitê de acessibilidade

Antonio Dourado, chefe do Centro de Esportes da Superintendência Geral de Esportes do Paraná, detalhou as ações que estão sendo desenvolvidas na área do paradesporto. Mas, em relação aos parques de lazer inclusivos ele avalia que ainda está se caminhando.

Diretor do Departamento de Apoio à Pessoa com Deficiência e de Políticas Públicas para Acessibilidade, da Secretaria Estadual de Justiça, Família e Trabalho, Felipe Braga Côrtes apresentou projetos em andamento de lazer no Estado, acessível às pessoas com deficiência. Clecy Aparecida Grigoli Zardo, do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, disse que 90% dos parques do Paraná não possuem espaços e equipamentos para as pessoas com deficiência.

Junior Weiller (MDB), prefeito de Jesuítas e presidente da Associação dos Municípios do Paraná, se comprometeu a buscar junto ao Governo do Estado formas de implantar esses equipamentos nos parques dos municípios. Disse também que pretende criar um comitê de acessibilidade na AMP para discutir o tema com prioridade. Ronaldo Machado Babiak, diretor do Departamento de Lazer da Prefeitura de Curitiba, mostrou a experiência da capital, que conta com 44 brinquedos inclusivos itinerantes, que circulam nas dez regionais, tanto em eventos promovidos pela Prefeitura quanto em escolas de ensino regular e especializado.


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