Aluno de Pedagogia, homem trans estudou a discriminação de corpos dissidentes na escola

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Numa cerimônia online, ontem à noite, Daniel Henrique Rodrigues Domene (foto), o primeiro transhomem do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá, defendeu o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) como atividade avaliativa final da graduação. Aprovado com a nota 100 pela banca examinadora, o estudo chama-se “Subjetividade em Travessia: o Preterimento do Corpo Dissidente no Território Escolar” e aborda, por meio do transfeminismo, a existência e sobrevivência de transhomems no campo da Educação, em especial da escola e da própria Universidade. Daniel foi orientado pelo professor Maddox Cleberson D. Gonçalves e pela professora Lua Lamberti. Docente do Departamento de Teoria e Prática da Educação (DTP), Maddox diz ter sido prazeiroso para ele e o graduando terem tido o acompanhamento da professora Lua, “primeira travesti a obter o título de mestra em educação na UEM, agora também doutoranda em Educação”. Aprovada em processo seletivo, Lua será docente do curso de Artes Cênicas na instituição.

Defesa virtual da defesa, ontem: Maddox (orientador) está no canto superior à esquerda

“Essa parceria com uma professora travesti foi crucial para o desenvolvimento do trabalho, pois ampliou nossos olhares para lacunas muito específicas sobre a existência das diferenças”, explica o orientador. Ele destacou o trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisa Nudisex, DTP e pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPE) da UEM, sob a responsabilidade da professora Eliane Maio, “que vêm abrindo portas para que pessoas como Daniel, Lua e outras consigam acessar a universidade e poder simplesmente conquistar, como qualquer outra pessoa, o seu direito básico de estudar e trabalhar”. Nudisex é a sigla para o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Diversidade Sexual, da UEM. “Educar as pessoas para as diferenças é um passo difícil que, em tempos como este, vem sendo tomado e comemorado frente a cada conquista. Daniel é um grande homem que abre possibilidades para que outros venham para nossa universidade e sintam-se acolhidos neste espaço”, acrescenta.


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