Aaron deixa um legado inestimável por sua terapia cognitiva

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Morreu ontem, segunda-feira (1º), aos 100 anos, o psiquiatra norte-americano Aaron Beck (foto), um dos mais importantes profissionais da área de todos os tempos, pai da Terapia Cognitiva. Criou um tratamento baseado em evidências, aplicando técnicas derivadas do conhecimento científico, do funcionamento da cognição humana. Para muitos profissionais do ramo, incluindo os psicólogos, se a psicoterarapia é respeitada pela comunidade científica isso decorre em grande medida do trabalho desenvolvido por Aaron.

A Terapia Cognitiva é uma das formas de psicoterapia mais estudadas e praticadas, adotada por profissionais para tratar pacientes com condições psicológicas como a depressão, ansiedade, distúrbios de personalidade e esquizofrenia. Mais de dois mil estudos e pesquisas científicas comprovam a eficácia desta terapia.

Além disso, o psiquiatra também criou procedimentos para medir os sintomas e criar uma avaliação de prevenção do suicídio. Recebeu diversos prêmios e honrarias, incluindo o Prêmio Heinz para a Condição Humana, em 2001, e o Prêmio Albert Lasker para a Clínica Médica Investigação, em 2006.

Terapia Cognitiva ou Terapia Cognitiva Comportamental é, segundo a psicóloga Maria Alice Fontes, de São Paulo, uma forma focalizada de psicoterapia em que o terapeuta e o cliente trabalham juntos como uma equipe para identificar e resolver problemas. Os terapeutas ajudam os clientes a superar as dificuldades, trabalhando com os pensamentos, comportamentos e reações emocionais deles.

A eficácia do método foi estabelecida no tratamento de doenças como a síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica, hipertensão, fibromialgia, depressão pós-infarto do miocárdio, dor torácica não cardíaca, câncer, diabetes, enxaqueca e outros distúrbios de dor crônica.

Ao explicar qual a teoria por trás da Terapia Cognitiva, Maria Alice, PHD em Ciências e doutora em psiquiatria, diz que ela é baseada no modelo cognitivo, onde a percepção sobre as situações influenciam como nos sentimos. Por exemplo: se você está aprendendo um esporte novo e está pensando como é divertido este tipo de atividade, provavelmente irá se sentir feliz e entusiasmado. Se está pensando que pode se machucar, cair ou passar vergonha frente aos outros, provavelmente irá sentir medo e ansiedade. Ou seja, os pensamentos espontâneos sobre as situações influenciam as emoções, comportamentos, reações psicológicas e fisiológicas.

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